
Até ler o artigo na Revista Piauí, nunca tinha ouvido falar em SteamPunk. Mas já tinha, por várias vezes, desejado viver nos anos 1800, atraído pelo modo de vida descrito em muitos dos livros ambientados na época. Vivendo em nossa era dos contatos à distância, em que encontros reais com amigos ficam cada vez mais complicados de agendar e os prazeres à mesa são prejudicados pelas neuroses alimentares, eu sempre invejei personagens como os de Machado de Assis e Eça de Queiroz. Ah, levar a vida entre bailes, festas e saraus! Jantares do dia a dia com direito a entrada, um belo assado como prato principal, vinhos, sobremesas, tudo isso arrematado com zero de culpa, mas com muito café, licores, conhaque e charutos…
Vi-me então, motivado a escrever para o Bruno Accioly. No dia eu não saberia explicar por que, mas hoje vejo que o fiz por ter ficado surpreendido ao ver que a quantidade de gente que parecia partilhar comigo este sentimento era suficiente para criar um movimento com nome, sites e até eventos periódicos. Carta – ops – email vai, email vem, acabei topando escrever um artigo.
Antes, cumpria saber mais sobre o assunto. Escarafunchando um pouco os textos e vídeos do site, porém, logo percebi que o Steam do nome do movimento não aludia ao vaporzinho que sai do chá, mas à fumaça expelida pelas máquinas que fizeram do Século XIX uma época de transformações radicais do mundo, para o bem e para o mal. O SteamPunk não era um bando de saudosos como eu, mas pessoas fascinadas com a percepção do que aconteceu, e as coisas que surgiram naquela época, reverberam até hoje em nossas vidas.
Será que eu tinha ficado novamente sozinho, a esperar parceiros para o
E é aí que eu volto a me sentir na companhia dos Steamers, pois o que é minha nostalgia senão o corolário deste desencanto? Portanto, deixo sobre a mesa o chá e os biscoitos, mando afinar a pianola e espero os amigos chegarem para o sarau steam.