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História

O termo SteamPunk surge como subgênero da Ficção Científica em fins de 1980 pelas mãos de Kyle Wayne Jeter, que buscava uma forma de descrever sua obra literária e as obras de Tim Powers e James Blaylock.

A etimologia do termo se baseia não nos significados individuais das palavras “Vapor” e em “Punk”, como normalmente é suposto, mas na corruptela do nome de um outro subgênero da Ficção Científica, o CyberPunk, o que fica claro quando se lê a carta na qual K.W.Jeter batiza o novo gênero:

“À Revista Locus,

Segue uma cópia de meu romance ‘Morlock Night’ – que agradeceria se pudesse encaminhar para Faren Miller, como primeira evidência de quem no triumvirato Powers/Blaylock/Jeter estaria escrevendo esta forma de História Alternativa primeiro. Entretanto fiquei obviamente lisonjeado com o artigo que ela escreveu na Locus de março.

Pessoalmente acho que fantasias Vitorianas serão ‘o próximo grande filão’, contanto que cheguemos a um termo adequado para o trabalho que Power, Blaylock e eu mesmo estamos desenvolvendo. Algo baseado na tecnologia da época; como ‘SteamPunk talvez…”

– K.W. Jeter

A despeito do termo ter sido cunhado em fins da década de 80, muitas pessoas usam-no para descrever obras que surgiram antes do termo ser criado, como o fazem para as obras de Jules Verne, Mark Twain, H.G.Wells, Mary Shelley e de muitos outros autores do Século XIX, que servem como referência do gênero para escritores da atualidade.

Muito embora K.W. Jeter tenha lançado as bases tanto da terminologia quanto da linguagem SteamPunk em fins de 1979, com “Morlock Night”, o trabalho de William Gibson e Bruce Sterling acabou por ficar em maior evidência no início da Década de 90, quando lançaram o livro “A Máquina Diferencial” – fenômeno bastante natural uma vez que sua fama os precedia graças a criação do gênero CyberPunk e por suas idéias revolucionárias na Literatura.

É importante ressaltar que apesar de o termo SteamPunk ser o mais popular, alguns autores acabaram por não concordar com seu uso e chegaram a outros nomes, como ClockPunk, RetroFuturismo ou Gas Light Fantasy – termos que os fãs até tentam usar como subgêneros do SteamPunk, no lugar de suprimí-lo.

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Até ler o artigo na Revista Piauí, nunca tinha ouvido falar em SteamPunk. Mas já tinha, por várias vezes, desejado viver nos anos 1800, atraído pelo modo de vida descrito em muitos dos livros ambientados na época. Vivendo em nossa era dos contatos à distância, em que encontros reais com amigos ficam cada vez mais complicados de agendar e os prazeres à mesa são prejudicados pelas neuroses alimentares, eu sempre invejei personagens como os de Machado de Assis e Eça de Queiroz. Ah, levar a vida entre bailes, festas e saraus! Jantares do dia a dia com direito a entrada, um belo assado como prato principal, vinhos, sobremesas, tudo isso arrematado com zero de culpa, mas com muito café, licores, conhaque e charutos…

Vi-me então, motivado a escrever para o Bruno Accioly. No dia eu não saberia explicar por que, mas hoje vejo que o fiz por ter ficado surpreendido ao ver que a quantidade de gente que parecia partilhar comigo este sentimento era suficiente para criar um movimento com nome, sites e até eventos periódicos. Carta – ops – email vai, email vem, acabei topando escrever um artigo.

Antes, cumpria saber mais sobre o assunto. Escarafunchando um pouco os textos e vídeos do site, porém, logo percebi que o Steam do nome do movimento não aludia ao vaporzinho que sai do chá, mas à fumaça expelida pelas máquinas que fizeram do Século XIX uma época de transformações radicais do mundo, para o bem e para o mal. O SteamPunk não era um bando de saudosos como eu, mas pessoas fascinadas com a percepção do que aconteceu, e as coisas que surgiram naquela época, reverberam até hoje em nossas vidas.

Será que eu tinha ficado novamente sozinho, a esperar parceiros para o Voltarete? Acho que não. Porque no meu entendimento, a essência do SteamPunk é a noção de que os 1800 é que definiram nosso mundo como ele é hoje, foram o ponto de inflexão entre um mundo rural, movido a animais e comandado pela religião, e nosso mundo urbano, movido a petróleo e comandado pelo dinheiro. Era um tempo em que os homens sentiam que seriam capazes de tudo com a ajuda da Ciência. Essa visão, ao mesmo tempo ingênua e prepotente, levou tanto a grandes feitos de ousadia, como a grandes equívocos. Tal ambiguidade está contemplada no SteamPunk, na forma de um certo desencanto com o rumo que as coisas tomaram. A Tecnologia que mesmerizou as pessoas não cumpriu todas as promessas, e trouxe e ainda traz conseqüências indesejadas.

E é aí que eu volto a me sentir na companhia dos Steamers, pois o que é minha nostalgia senão o corolário deste desencanto? Portanto, deixo sobre a mesa o chá e os biscoitos, mando afinar a pianola e espero os amigos chegarem para o sarau steam.

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